DADOS GERAIS
Nome: República Popular da China
Área: 9 572 909 km²
Língua principal: Chinês (Mandarim)
Capital: Pequim (Beijing)
Feriado Nacional: 1 de outubro - Dia da proclamação da República no ano de 1949
Fuso horário: +7 horas
População: 1 550 000 000 (1,2 bilhão) pessoas
População por km²: 128 pessoas por km²
Crescimento populacional: 1,3% por ano
Tempo de vida: Mulheres 71 anos / Homens 69 anos
Analfabetos: 17%
Moeda: 1 Renminbi Yuan (RMB.Y) = 10 Jiao = Fen
Religião: Confucionismo (maioria), budismo, taoísmo, islamismo, cristianismo
PIB por habitante: 2.920 US $
Exportação principal: Roupas, produtos eletrônicos, máquinas, alimentos
HISTÓRIA
Literatura
Na escrita chinesa as palavras não são encadeamentos de letras como na língua portuguesa, mas sim ideogramas, isto é, desenhos que representam idéias. Esses ideogramas foram criados na China há cerca de três mil anos antes de Cristo, quando já existe uma língua falada. Cada ideograma referia-se ao sentido de uma palavra da língua falada e era, muitas vezes, o desenho simplificado da coisa que essa palavra designava. A lua, por exemplo, era representada pela metade de um circulo, com forma de meia-lua.
Hoje em dia, cada comunidade chinesa atribui a um determinado ideograma o som correspondente à palavra que o significa na sua língua falada.
Uma característica fundamental do idioma chinês é que ele funciona na base da comparação e associação de idéias, de modo a sugerir novas idéias. Assim, na língua escrita, o ideograma que significa sol, por exemplo, colocado ao ideograma que representa lua, da origem a um ideograma que significa brilho – característica comum que se nota quando se comparam esses dois astros. O ideograma que significa mulher, colocado debaixo de outro que significa teto, compõe um ideograma que significa paz – conceito sugerido poeticamente pela idéia da presença de uma mulher dentro de um lar.
As culturas chinesas mais antigas já encontradas, datam de 3000 a.C. A civilização chinesa surgiu nas proximidades do Rio Amarelo, descrita em lendas como governada por imperadores místicos, responsáveis pela implantação de atividades econômicas, agricultura nômade; metalurgia para a construção de armas e diversos instrumentos. O soberano representava Deus na Terra.
Etnias
A China é um país unificado com 56 etnias. De acordo com os dados do IV Censo Demográfico Nacional de 1990, a população Han constituía 91,96% do total nacional e as restantes 55 etnias representavam 8.04%. Devido à maioria da população Han, é costume chamar as outras 55 de "minorias étnicas".
Religião
A China é um país de muitas religiões e conta com mais de 100 milhões de crentes. Professam-se o budismo, o islamismo, o catolicismo e o protestantismo. Além destas, há o taoísmo, próprio do país, o chamanismo, a igreja ortodoxa oriental e a religião dongba. Naturalmente, as diversas etnias e pessoas têm religiões diferentes: o islamismo se professa entre as etnias Hui, Uygur, Cazaqui, Quirguiz, Tártara, Usbequi, Tajik, Donxiang, Salar e Bonan, o budismo tibetano (também chamado de lamaísmo) entre as etnias tibetana, mongol, Lhoba, Monba, Tu e Yugur, entre as etnias Dai, Blang e De'ang, o budismo da seita hinayana, entre as etnias Miao, Yao, Yi e outras há uma boa quantidade de católicos e protestantes, entre a etnia Han há budistas, protestantes, católicos e taoístas.
PERÍODO IMPERIAL
No inicio da sua Historia, os chineses colocam soberanos lendários aos quais são atribuídas determinadas atividades que, na realidade, assinalam as etapas de progresso da população chinesa desde o seminomadismo primitivo até a agricultura sedentária. Assim, por exemplo, Chen-Nong é apresentado como o soberano que fabricou a charrua e ensinou as regras da agricultura. De Huangdi diz-se que era fundidor, inventor das armas e teria plantado as cinco espécies de cereais. A missão de Yao, que possuía a inteligência de um ser divino, foi promover o bem de seu povo sem pensar em si mesmo. Como vemos, os vultos lendários que iniciam as épocas brumosas da Historia Chinesa são descritos acima de tudo sábios ponderados que desempenham a elevada missão de por ordem nas coisas e nos homens.
Após conflitos entre povos nômades, são estabelecidas dinastias. O reino foi subdividido em cerca de1500 principados, com poder descentralizado. O imperador era uma figura decorativa. Nesta época, havia uma forma de governo semelhante ao feudalismo. A civilização se estendeu para o sul (vale do Rio Yangtse) e para o leste, até o mar.
Neste período, surgem as idéias que influenciam a sociedade chinesa até a atualidade: o Confucionismo, um conjunto de regras de conduta para o soberano e toda a sociedade, comparado até mesmo a “O Príncipe”, de Maquiavel, o Taoísmo e o Legalismo, corrente filosófica posterior ao Confucionismo. O modelo feudal foi suprimido. A descentralização do poder favorecia as disputas territoriais. Apesar dos grandes conflitos, foi um período de grandes avanços: a unificação da escrita, do sistema de pesos e medidas, e da unidade monetária; e a construção da Grande Muralha, para defender o território das tribos nômades e bárbaros.
A dinastia Han é considerada a mais relevante do período, por suas realizações tecnológicas e científicas, como a criação do papel, porcelana, medicina, astronomia, cartografia, e a formação de importantes historiadores, e pela expansão territorial: o império passa a ocupar o território da atual Coréia, no norte. Inicia-se o comércio intenso com o oeste, com a abertura da Rota da Seda (vide Anexo I), que também possibilita o reconhecimento de novas civilizações, como a Índia, responsável pela penetração do Budismo na cultura chinesa. O comércio marítimo também teve o mesmo papel no contato com o Oriente Médio e com o Japão. A construção do Grande Canal (vide Anexo II) regenerou o império e aprimorou o comércio interno.
No século XIII, os mongóis invadem a China, comandados por Kublai Khan, neto de Gengis Khan. Apesar da conquista, eles absorvem a cultura chinesa: recrutam trabalhadores chineses, como carpinteiros, professores e artesãos, para servir o estado mongol. Os mongóis expandem o território a leste e conquistam a província de Guangdong, ao sul. Este foi um período de grande diversidade cultural e tolerância religiosa – o catolicismo, o budismo e o islamismo –, graças aos contatos freqüentes com o ocidente através de mercadores como Marco Pólo.
Devido a crises internas, os chineses recuperaram o poder em 1368 com a dinastia Ming, fundada por um camponês e monge budista da etnia Han. Essa dinastia tinha total aprovação da população, que a considerava auto-suficiente. Porém, foram justamente as guerras contra os mongóis e contra piratas japoneses e coreanos que enfraqueceram a dinastia. Apesar dos conflitos, os chineses chegaram até a costa africana a árabe. No século XVI os portugueses estabeleceram-se em Macau.
No século seguinte, os manchus penetraram ao norte do território, estabelecendo o último império, mais fortalecido. Anexaram os territórios correspondentes ao Tibete e Taiwan.
O contato com o ocidente possibilitou avanços tecnológicos, que causou também desemprego, pois as manufaturas não absorviam toda a força de trabalho existente. Houve escassez de terras e grande colapso social. Os manchus assinaram o tratado de Nerchinski com a Rússia em 1689, delimitando a fronteira nordeste da China. Este foi o primeiro tratado bilateral assinado com um país europeu.
A dinastia manchu foi ameaçada pela invasão ocidental, iniciada com o estabelecimento do entreposto comercial português em Macau, seguida com os espanhóis, britânicos e franceses.
Domínio Ocidental
A partir do século XIX, a influência ocidental causa grande impacto sobre o Império Chinês. Em 1820, os britânicos obtêm exclusividade de comércio no porto de Cantão. Interesses comerciais opõem China e Reino Unido e levam-nos às duas Guerras do Ópio (1839-1842, 1856-1860). Vitoriosos, os britânicos garantem o monopólio do comércio da droga, a abertura de cinco portos chineses ao Ocidente e a posse de Hong Kong. Em 1844, os Estados Unidos (EUA) e a França conquistam privilégios comerciais. A Rússia ocupa, em 1858, territórios no norte. Em 1885, a China cede o Anã (Vietnã) à França e, dez anos depois, perde a península da Coréia e Taiwan (Formosa) para o Japão. A submissão da dinastia manchu à intervenção externa, provoca entre 1898 e 1900, a Guerra dos Boxers, revolta dos nacionalistas contra estrangeiros e missionários cristãos. A rebelião é sufocada com a ajuda de tropas ocidentais e japonesas. Com a derrota dos nacionalistas, a China é novamente obrigada a ceder: os EUA impõem a política da Porta Aberta, pela qual o Ocidente se compromete a respeitar a integridade territorial em troca da total abertura comercial do país.
As realidades da Guerra do Ópio, os tratados desiguais e rebeliões em massa foram suficientes para a organização de um movimento que fortalecesse a China. Como conseqüência, houve um avanço educacional, através da aplicação de métodos ocidentais. Como medidas governamentais, houve o envio de alunos ao exterior e construção de estaleiros e fábricas com tecnologia ocidental.
Invasões ao território chinês voltam a ocorrer. O controle estrangeiro de setores vitais da economia chinesa foi reforçado por uma grande concessão de privilégios Também dominaram alguns estados periféricos, recebendo tributos antes destinados ao império. A China perdeu territórios para a França, Grã Bretanha, Rússia, Bélgica, Japão e Alemanha.
Influenciado pela modernização japonesa, o governo sancionou decretos com o objetivo de promover reformas institucionais e sociais. Este período ficou conhecido como Reforma dos Cem Dias.
Fim do império
Em 1908, o médico Sun Yat-sen funda o Partido Nacionalista (Kuomintang), em oposição à monarquia e à hegemonia estrangeira. Apoiado por militares, é proclamado presidente provisório em 1911, mas a república não consegue estabelecer-se em todo o país, que entra em longo período de guerra civil.
A morte de Sun Yat-sen, em 1925, provoca luta pelo poder no Kuomintang. A facção vitoriosa, liderada por Chiang Kai-shek, une-se ao Partido Comunista Chinês (PCCh) - fundado em 1921 - contra os senhores feudais do norte do país. A aliança dura até 1927, quando uma insurreição operária em Xangai é reprimida com violência pelo Kuomintang. Os comunistas, liderados por Mao Tsé-tung, são colocados na clandestinidade.
Debilitada, a China não resiste ao Japão, que, em 1931, invade a Manchúria. Para escapar ao cerco do Kuomintang, 90 mil comunistas, liderados por Mao, desloca-se 9 mil quilômetros rumo ao norte. É a Grande Marcha (1934/1935), que dá prestígio e dimensão quase mítica aos comunistas.
SÉCULO XX
Em 1900, é fundado o Kuomintang, um partido nacionalista anti-monarquia, que inicia uma revolução, apoiada pelos militares e financiada por norte americanos. O líder do partido se tornou presidente provisório em 1911, mas a república não se estabeleceu em todo o país. Em 1922, Chiang Kai-sheck, o novo líder do partido, se aliou ao Partido Comunista Chinês (PCC) até 1927, quando o PCC é posto na clandestinidade. De 1934 a 1935, Mao Tse Tung liderou a Grande Marcha em direção ao norte do país, que divulgou o Comunismo. Durante a II Guerra Mundial, o Kuomintang e o PCC fazem uma aliança, temendo o avanço japonês. Após o conflito, os combates entre nacionalistas e comunistas se reiniciam. Os comunistas tomam Pequim e em 1 de outubro de 1949 proclamam a República Popular da China, e Mao Tse Tung seu líder. Chiang Kai-sheck se refugia em Taiwan, onde instala a República da China, país capitalista reconhecido pela ONU.
A URSS reconheceu a Rep. Popular da China no dia seguinte à sua criação. Mao assinou o Tratado de Aliança com a URSS, assim concretizado em 1950, com duração estipulada em trinta anos. A China se envolveu na Guerra da Coréia no mesmo ano, lutando a favor da Coréia do Norte. Após seu envolvimento no conflito, o PCC iniciou uma campanha contra os possíveis “inimigos do estado”, promovendo julgamentos públicos. Realizaram a reforma agrária e combateram a excessiva burocratização do Partido Comunista.
Foram adotados planos qüinqüenais e a primeira Constituição do estado foi promulgada em 1954. Em 1956, o governo iniciou a Campanha das Cem Flores (vide ANEXO III), e em 1958 o Grande Salto para Frente, uma iniciativa de desenvolvimento econômico baseado na industrialização, em grande parte improvisada, e na agricultura organizada em comunas. O movimento foi um grande fracasso, e foi a causas da miséria dos camponeses da década seguinte, da falta de matérias-primas e da superprodução de mercadorias de baixa qualidade. Em 1959, os tibetanos iniciam uma rebelião contra a ocupação chinesa, apoiados pelos norte-americanos e britânicos, e se refugiam na Índia, provocando incidentes na fronteira entre os dois países. Teve início um conflito, em que a China reivindicou uma parte do território. A URSS interveio em favor da Índia, aumentando a tensão nas relações diplomáticas com a China, as quais vieram a se romper em 1960. Por outro lado, a França reata relações diplomáticas com a China, que detona sua primeira bomba atômica com sucesso, uma demonstração de força política e militar.
Revolução Cultural (vide ANEXO IV)
A cúpula do PCCh afasta Mao da condução dos assuntos internos. Outros veteranos da revolução, como Liu Shaoqi e Deng Xiaoping assumem as decisões do dia-a-dia. Mao continua a chefiar a política externa. Crescem as críticas à URSS, que reage e suspende a ajuda econômica e militar, em 1960.
Em 1966, Mao lança uma ofensiva para voltar ao poder: a Grande Revolução Cultural Proletária. A população - em especial a juventude - é instigada a se rebelar contra as autoridades, acusadas de burocratização. Cerca de 20 milhões de estudantes formam as Guardas Vermelhas, que fazem perseguições em enorme escala. Mas o pacto com as guardas acaba em 1969, quando Mao usa o Exército para liquidar seus aliados, agora acusados de extremismo. Aos poucos, a ala reformista do PCCh reconquista posições e, após a morte de Mao, em 1976, assume o poder.
A postura política se tornava cada vez mais moderada: na década de 1970 são restauradas relações diplomáticas com o Canadá, Itália, Austrália Inglaterra, Japão, Alemanha e EUA. A China recuperou sua cadeira na ONU, recebeu a visita do presidente americano, e concedeu anistia a criminosos de guerra.
Na década de 1980, Deng Xiaoping, então secretário geral do Partido Comunista Chinês, implantou a idéia de que socialismo não significa pobreza, definindo como o maior desafio do país o aumento da produtividade. Institui uma reforma denominada As Quatro Modernizações – da indústria, da agricultura, da ciência e tecnologia e das forças armadas. Foram criadas as Zonas Econômicas Especiais, abertas a investimentos estrangeiros. Embora tenham trazido o crescimento econômico ao país, as mudanças de características capitalistas aumentaram a desigualdade social.
Depois da Revolução dos Cravos em 1974, Portugal declarou a independência imediata de todos os seus territórios ultramarinos. A China rejeitou esta transferência imediata, tendo apelado para o estabelecimento de negociações que permitissem uma transferência harmoniosa. A diferença entre o sistema capitalista de Macau e o comunista da China continental poderá estar na base desta decisão. Com o decorrer das negociações, o estatuto de Macau redefeniu-se para “território chinês sob administração portuguesa” e a transferência foi agendada para a data de 20 de Dezembro de 1999, através do documento "declaração conjunta", onde se estabeleciam uma série de compromissos entre os dois países para Macau. A data escolhida permitia entre outras coisas: prolongar a presença portuguesa no Oriente, transformando Portugal na última nação Ocidental a retirar as suas possessões da China; fazer a transferência de Macau pouco depois da de Hong Kong e que foi usada pela China como forma de retaliação ao Reino Unido devido à suavidade com que as negociações e transferência de Macau foram conseguidas, por contraste com a de Hong Kong; e readquirir o controle de todos os territórios chineses que estiveram sob domínio ocidental antes do início do século XXI.
A transferência da soberania de Macau entre Portugal e a China aconteceu no dia 20 de Dezembro de 1999, como estava previsto através da Declaração Conjunta, depositada nas Nações Unidas e entretanto publicada no Boletim Oficial de Macau a 7 de Junho de 1988. Neste tratado internacional redefinia-se Macau como território chinês sob administração portuguesa. Estabelecia-se ainda uma série de compromissos e garantias que permitiam ao território alguma autonomia futura, isto é durante 50 anos, e a conservação das suas especificidades. Tendo acontecido dois anos após a transferência de soberania de Hong Kong, foi um processo mais suave que o de Hong Kong, não tendo havido confrontos políticos de nota entre os dois governos durante as negociações diplomáticas, nem distúrbios sociais, ao contrário de Hong Kong, cuja população possui uma tradição mais reivindicativa e participativa.
Gorbachev, governador russo, visitou o País em 1989 reatando relações diplomáticas. O crescente anseio por democratização culminou com uma manifestação popular na Praça da Paz Celestial, em que milhares de estudantes foram mortos pelas forças armadas.
Massacre da Praça da Paz Celestial
A abertura na economia estimula reivindicações por democracia. Em 1986, Hu Yaobang, secretário-geral do partido desde 1982, é acusado de "desvios liberais" e substituído por Zhao Ziyang. A morte de Hu, em abril de 1989 desencadeiam uma onda de protestos. Os estudantes exigem a reintegração póstuma de Hu ao partido. Em maio, centenas de milhares de estudantes fazem manifestações contra a corrupção e exigem abertura política. Os jovens reúnem-se na Praça da Paz Celestial, em Pequim, onde estão instalados os principais órgãos do poder. Em junho, o Exército abre fogo contra os estudantes. A imprensa estrangeira estima entre 2 mil e 5 mil o número de mortos.
À frente do governo, Deng Xiaoping morre em 1997, aos 92 anos. Seu sucessor, Jiang Zemin, mantém a política de reformas econômicas. Nesse mesmo ano, o PCCh rompe um princípio básico do comunismo, a propriedade estatal dos meios de produção, e anuncia gigantesco programa de privatizações. Ao mesmo tempo, o PCCh reforça o controle político sobre o país. O governo reprime duramente a seita religiosa Falun Gong. Receoso de que sua popularidade enfraqueça o PCCh, bane a seita em 1999 e prende milhares de fiéis.
Comunismo
Diante do avanço japonês, o Kuomintang e o PCCh fazem nova aliança em 1936. Com a rendição do Japão, no fim da II Guerra Mundial, recomeçam os combates entre comunistas e nacionalistas. Em outubro de 1949, os comunistas proclamam a República Popular da China, com Mao Tsé-tung como dirigente supremo. Chiang Kai-shek foge para Taiwan (Formosa), onde instala a República da China. A China continental é reorganizada nos moldes comunistas, com coletivização das terras, nacionalização das empresas estrangeiras e controle estatal da economia. Em 1950, a China assina tratado de amizade com a União Soviética (URSS). No mesmo ano ocupa e anexa o Tibet.
Após a morte do ditador soviético Josef Stálin, em 1953, Mao enfatiza sua autonomia em relação à URSS. Em 1956 lança a Campanha das Cem Flores, para estimular críticas da população à burocracia partidária. Quando essas críticas ultrapassam limites considerados toleráveis, o regime reage com a Campanha Antidireitista. Milhares de intelectuais são perseguidos, presos e mortos.
Em seguida, Mao lança outra campanha: o Grande Salto para Frente (1958/1960), que pretendia transformar rapidamente a China em nação desenvolvida e igualitária. Os camponeses são obrigados a se juntar em gigantescas comunas agrícolas. Siderúrgicas improvisadas são instaladas por toda a parte. O "salto" leva à total desorganização econômica. Milhares de camponeses morrem de fome.
Situação Econômica (principais críticas)
O modelo político da China se faz presente no planejamento, na centralização e no controle da maioria das atividades econômicas e políticas; na imprensa e nos noticiários da televisão (os transmitidos em inglês destacam basicamente a situação e os conflitos de outros países, principalmente da vizinhança, como o conflito que estava havendo com Taiwan). A presença maior do Estado, está nas normas, não tanto em edificações ou guardas/policiais.
As reformas trouxeram várias mudanças no país, especialmente após 1992. A população urbana era, em geral, pobre mas não havia grandes concentrações de pobres ou "favelas" nas maiores cidades chinesas. As reformas propiciaram dois fenômenos sociais: a emergência de grupos sociais e econômicos bem sucedidos, e uma grande concentração de pobres nas grandes cidades. A propriedade do solo é sempre do Estado e, portanto, caso alguém seja dono de algum imóvel, ele é dono da edificação e tem o direito ao usufruto do terreno por 90 anos, não é dono, portanto do terreno, que é sempre do poder público. Os "pobres oficiais" têm direito aos serviços sociais públicos, destacando-se a saúde e a escola para os filhos. Mas há outra categoria de pobres: os não oficiais, os migrantes do campo que se deslocam para as cidades, os ex-"trabalhadores/camponeses". Essa categoria desempenha um papel econômico importante, como parte fundamental na composição da mão-de-obra nas novas frentes de trabalho, principalmente na construção civil, mas eles não têm direito ao acesso à serviços gratuitos estatais pois estão fora de seu lugar de cadastramento de moradia, dado por seu local de nascimento. Seus filhos não têm acesso à escola ou aos serviços de saúde. Os planos de assistência pública destinam-se aos pobres oficiais.
É preciso que se destaque os avanços que foram realizados nos últimos 50 anos, para que se possa avaliar as mudanças operadas. Na área da Educação, por exemplo, em 1949, 60% da população chinesa era analfabeta. Hoje esse número não passa de 12%. A China tinha 540 milhões de habitantes em 1949 e hoje tem 1.248 bilhões. Parte desse crescimento deve-se também a melhoria nas condições de saúde: a mortalidade infantil era 25% em 1949 e hoje é 3%; a expectativa de vida em 49 era de 35 anos, hoje é de 71 anos.
Os planos e as expectativas de desenvolvimento da China para os próximos anos são animadores e surpreendentes. Para alguns analistas, espera-se que em 2010 a economia do país cresça a 5,5% ao ano, tenha uma renda per capita de 10 mil dólares ( hoje é de 774), já tenha construído seu "Vale do Silício", tenha 600 cidades em áreas rurais, aliviando a pressão nas poluídas megacidades atuais, e incorporando a população que hoje migra para as cidades. "Os altos índices de crescimento nos últimos anos, o promissor mercado consumidor, a mão-de-obra barata, a proximidade aos tigres asiáticos em crise, o poderio nuclear e o sucesso da integração territorial sugerem que a China poderá vir a ser a potência do próximo milênio". (FOLHA, 1999)
O que se destaca no momento são as reformas econômicas. Elas trouxeram novos códigos e expressões ao vocabulário chinês: competitividade, produtividade, ganhar dinheiro (o slongan "enriquecer é glorioso" criado por Deng Xiaoping é a expressão emblemática da nova postura; uma outra é renascimento). Entretanto, na nova fase, assim como na globalização em outras regiões, o desemprego ronda. Ela não veio acompanhada da promessa de emprego para todos, slogan de tempos anteriores do PCC. Entre a população urbana, estimada em 409 milhões de habitantes, calcula-se que o desemprego atinge 3,1% ( cerca de 12 milhões de pessoas). Na área rural as estatísticas não são precisas, mas o governo estima em 100 milhões de camponeses que estariam vagando em busca de emprego. "O desemprego e a ameaça de instabilidade social são, atualmente, a principal ameaça ao regime. Para enfrentar o desafio o governo transformou, em 98, o Ministério do Trabalho em Ministério do Trabalho e da Previdência Social."(FOLHA, 1999)
A China atual tem uma organização administrativa complexa. Ela possui 2.000 divisões administrativas, além de regiões autônomas como o Tibete e a Mongólia Interior (região localizada ao sul do país que tem esse mesmo nome, a Mongólia propriamente dita). Possui Províncias e três cidades controladas diretamente pelo governo central: Beijing, Xangai e Tianjin. O PCC introduziu recentemente uma experiência de eleições diretas para prefeitos em vilarejos rurais que tem sido considerada como bem sucedida e pode evoluir para um modelo de eleições mais amplas.
Desde 1997 está em curso um plano elaborado pelo falecido Deng Xiao-ping, de reunificar todo o território chinês sob o princípio: "um país, dois sistemas". Isso significa que o sistema econômico capitalista permanece intacto nas ex-colônias por 50 anos, mas o sistema político passa a ser administrado pelo governo chinês. Sabemos que Hong Kong (ex-colônia inglesa) foi incorporada à China em 1997 e Macau, ex- colônia portuguesa, será incorporada em 20 de Dezembro 1999. O mesmo não ocorre com Taiwan, região de conflitos desde 1949 quando o governo nacionalista chinês de Chiang Kai-Chek refugiou-se naquela ilha, após a tomada do poder por Mao Tsé-tung. Entretanto, para acelerar suas reformas pró-economia de mercado, a China precisa do investimento oferecido por Taiwan. E Taiwan necessita de mão-de-obra mais barata e de novas fronteiras para se expandir. O diálogo entre os dois governos iniciou-se em 1990 e a China fez a proposta de ser a sede do poder político e a "ilha rebelde" manteria seu sistema capitalista com grau de autonomia. Taiwan resiste a essa forma de reunificação política impondo, como condição, a democratização completa da China comunista. A China ameaça invadir Taiwan por essa oposição e essa situação configura um dos principais focos de tensão na Ásia atual.
A China é o maior mercado do mundo e está na mira de todos os países exportadores, ganhando peso nas vendas brasileiras, nos últimos anos. A China comprou em 2001 US$ 1,5 bilhão do Brasil e é hoje o quinto principal mercado do país. Mas as vendas estão centradas em praticamente um só produto – soja em grãos. O Brasil representa apenas 0,6% das compras chinesas.
Desde finais da década dos 70, particularmente depois da terceira Sessão Plenária do XI Comitê Central do Partido Comunista da China, a China entrou numa nova etapa. A política estatal básica se concentrou na formação e aplicação de uma reforma e abertura completa ao mundo exterior.
RELAÇÕES INTERNACIONAIS
BRASIL x CHINA
Brasil-China: 30 anos de relações diplomáticas
Há trinta anos, durante o governo Geisel, o Brasil estabeleceu relações diplomáticas com a República Popular da China e, devido à aceitação internacional do princípio da existência de uma só China, rompeu relações com a República da China (também conhecida pelo nome da única província chinesa onde exerce soberania: Formosa ou Taiwan). Soberanamente, o país se colocava em dia com a grande política mundial, pois em 1971 Pequim (que se aproximou de Washington), passou a ocupar a vaga de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, em lugar de Taipé. Era também uma aposta no futuro, pois a China ainda vivia os últimos dias da era Mão Tse-Tung, que viria a morrer em 1976.
Em 1978 a China iniciou seu programa de reformas e "quatro modernizações", que em um quarto de século mudou a face do país (industrialização intensiva e um crescimento de 10% ao ano), e iniciaram a mudar o equilíbrio de forças no planeta. As relações foram intensas, com os presidentes Figueiredo, Sarney, Cardoso e Lula tendo visitado a China, que enviou vários presidentes e primeiros-ministros ao Brasil.
O Brasil exportou produtos primários como soja e ferro, além de aço, importando bens de consumo popular e equipamentos eletrônicos e máquinas, com uma balança comercial favorável. Mas ao mesmo tempo, houve cooperação mútua em infra-estrutura, com empresas brasileiras participando da construção da hidrelétrica de Três Gargantas (a maior do mundo) e os chineses na construção de ferrovias no Brasil, por exemplo. O projeto de satélites de sensoriamento remoto e a parceria tecnológica em áreas de ponta, como a nuclear, são exemplos avançados de cooperação Sul-Sul (entre países em desenvolvimento).
Igualmente importante é a dimensão político-diplomática da relação bilateral. Além do apoio chinês à candidatura do Brasil ao CS da ONU, ambos países cooperam na construção de um sistema mundial multipolar, que revalorize o papel da ONU, dentro do espírito dos chamados Cinco Princípios da Coexistência Pacífica. Além disso, o estabelecimento do G-20 (com a participação dos dois países), visando fortalecer a posição dos países em desenvolvimento da OMC, foi um sucesso. A cooperação bilateral é de grande vantagem, se o Brasil encarar com seriedade a parceria estratégica e não concentrar a agenda apenas em aspectos comerciais, adotando um projeto de desenvolvimento mais ousado.
Finalmente, há elementos em que a China pode inspirar o Brasil, como a inclusão social e o desenvolvimento econômico. Apesar da China ainda ter uma renda per capita menor que a do Brasil (US$ 1.130 contra 3.000), em muitos indicadores sociais eles nos ultrapassaram. Ainda que as reformas produzam desigualdade, segundo a ONU 400 milhões de chineses saíram da faixa de pobreza em pouco mais de uma década. A auto-estima do povo chinês também poderia nos inspirar. Mas o mais importante é o Brasil saber construir alianças para poder avançar, identificando países com interesses comuns. Neste sentido, a decisão tomada há 30 anos, tão criticada então, foi correta.
O Avanço dos Chineses
No mundo das relações diplomáticas, os presidentes do Brasil e da República Popular da China já podem ser considerados bons amigos. Depois da visita de Luiz Inácio Lula da Silva à China em maio de 2004, houve a Expo Brasil China, em Pequim, reunindo 86 (oitenta e seis) empresas brasileiras; foi a vez de Hu Jintao vir ao Brasil, acompanhado de uma comitiva que passou quase uma semana entre São Paulo, Rio e Brasília em novembro de 2004. Nesta ocasião foi aberta a Exposição de Produtos e Tecnologia da China, em São Paulo. Cinco seminários exploraram as possibilidades de negócios nas seguintes áreas: turismo, telecomunicações, ferrovia, indústria, minas e energia. Agora, o presidente chinês também acaba de obter uma prova dessa amizade na esfera comercial. Atendendo a uma antiga reivindicação, o Brasil passou a considerar a China uma "economia de mercado", o que deve facilitar ainda mais a entrada de produtos chineses no Brasil.
Não que esteja muito difícil para a China vender mais por aqui. Em apenas um ano, as importações brasileiras de produtos chineses cresceram 74% e chegaram a 2,6 bilhões de dólares. Uma das estrelas é o setor de telecomunicações. Em 12 meses, a entrada de equipamentos chineses dessa indústria no Brasil cresceu 110%, para um total superior a 420 milhões de dólares no mundo todo, o avanço chinês foi de 55%. Esses números mostram que a estratégia adotada por Hu, ao internacionalizar suas empresas de tecnologia, dá cada vez mais frutos.
CHINA x JAPÃO
A tensão China-Japão: História ou diplomacia? (Paulo Vizentini - 19/04/2005)
A irritação diplomática e as violentas manifestações populares chinesas são o resultado de mais uma tentativa do governo japonês de alterar os manuais escolares de história do país, ocultando as atrocidades cometidas pelo Império do Sol Nascente no Império do Centro ocupado. Não é a primeira vez que isto acontece e as reações costumam ocorrer em toda Ásia, invadida pelo Japão na Segunda Guerra Mundial: China e Taiwan, Coréia do Norte e do Sul, Vietnã e Filipinas, Indonésia e Austrália, Malásia e Mianmar (Birmânia). Isto se deve ao fato de que na Ásia, ao contrário da Europa, não houve a cicatrização das feridas da guerra, como ocorreu no velho continente, em grande parte devido à integração européia.
Geralmente o Japão recua, embora não chegue a assumir formalmente sua culpa, pedindo desculpas de forma explícita, como manda a cultura asiática. Desta vez, contudo, o caso é algo diferente. O governo do primeiro ministro Koizumi tem acertado com os Estados Unidos um conjunto de medidas que a China considera hostis. Acordos militares, aumento do orçamento de defesa, compra de armamentos, parceria no Escudo Anti-Mísseis, insinuações na questão de Taiwan, entre outras questões, têm irritado as autoridades chinesas. Alterar os livros de história, neste contexto, significa sinalizar o ressurgimento do nacionalismo nipônico, de triste memória na região, e provocar uma reação chinesa.
Evidentemente as autoridades procuram canalizar as manifestações populares contra símbolos japoneses, especialmente econômicos, como forma de lembrar Tóquio que há interesses comerciais e financeiros seus que podem ser prejudicados. Mas as manifestações são genuínas, pois há um sentimento popular generalizado de profunda mágoa pelos sofrimentos e matanças promovidas pelo exército imperial japonês na China, como pude constatar pessoalmente em mais de uma oportunidade neste país. Vale lembrar que em 1999, durante a guerra do Kosovo, quando os Estados Unidos bombardearam a embaixada chinesa em Belgrado, houve reações anti-americanas violentas até em Taiwan!
As manifestações do nacionalismo japonês costumam também irritar os coreanos (do norte e do sul), pois ainda não foi completamente solucionado o problema das jovens coreanas que foram forçadas a acompanhar o exército japonês, sendo convertidas em prostitutas.
O Japão, por sua vez, ainda que grande parceiro econômico da China, teme o crescimento deste país, que é mais forte militarmente e cuja economia está se convertendo na segunda do mundo, desbancando a posição japonesa. Assim, é compreensível que Tóquio busque aproximar-se da agenda da administração Bush. Quanto à China, tenta evitar que o Japão venha a ocupar uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU em caso de reforma. Daí, nada melhor do que lembrar ao mundo o passado japonês, que ainda não foi regularizado na região. Contudo, creio que o episódio representa uma provocação bem calculada, para gerar uma reação chinesa e afastar os dois gigantes asiáticos, num momento em que Pequim já enfrenta problemas em relação à Taiwan, que tem recebido crescente apoio de Washington. Assim, mais que à história do passado, a crise atual se deve à diplomacia do presente.
CHINA x EUROPA
(http://www.pontofinalmacau.com/)
China e União Européia realizaram em setembro/2006 uma cimeira, apresentada em conferência de imprensa em Pequim, onde as relações econômicas e comerciais foram os temos dominantes, segundo o embaixador da Finlândia em Pequim, que espera tratar também assuntos relacionados com direitos humanos
A cimeira União Européia (UE)-China, que ocorreu em 9 de Setembro em Helsínquia, privilegiou as questões econômicas e comerciais, com o tema dos direitos humanos fora da agenda prioritária (disse sexta-feira o embaixador finlandês em Pequim). "Esperamos trocar pontos de vista sobre os direitos humanos, mas não diria que será um tema dominante", afirmou Antti Kuosmanen em Pequim, numa conferência de imprensa de apresentação da nona cimeira UE-China.
Kuosmanen referiu que as questões em destaque na cimeira serão as econômicas, comerciais e sociais, como a proteção da propriedade intelectual, acessos aos mercados, emigração ilegal e proteção do meio ambiente, bem como os grandes temas atuais da agenda internacional, como as crises nucleares no Iran e na Coréia do Norte.
"É forçoso reconhecer que a questão dos direitos humanos é sensível e delicada, porque se trata de valores sobre os quais se fundam nossas sociedades", afirmou Kuosmanen, cujo país assegura atualmente a presidência rotativa da UE. O diplomata finlandês disse esperar, no entanto, "ser possível encontrar um meio-termo para debater o tema de forma a atingir resultados e evitar controvérsias infindáveis".
A China é o segundo maior parceiro comercial da UE, a seguir aos Estados Unidos da América. Na cimeira de Helsínquia, a delegação da UE será liderada pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e a da China pelo primeiro-ministro Wen Jiabao.
Trocas comerciais vão continuar a crescer
Já o embaixador da UE na China assegura que o comércio entre a China e a Europa continuará a crescer, apesar da eventual adoção de tarifas à importação de sapatos de couro da China, apoiada por Portugal. "As medidas 'anti-dumping' não são um obstáculo ao comércio entre a China e UE", afirmou Serge Abou, que lembrou que "o comércio entre a Europa e a China tem crescido entre 20 e 25 por cento ao ano".
Abou, que falava aos jornalistas durante a mesma conferência de imprensa, referiu ainda que os sapatos chineses não são as únicas importações a sujeitar-se às tarifas e que a China também já aplicou tarifas alfandegárias a produtos europeus.
A Comissão Européia (CE) propôs aos estados-membros da UE a imposição, a começar dentro de um mês, de tarifas durante cinco anos a uma taxa fixa de 16,5 por cento sobre os sapatos de couro provenientes da China e de 10 por cento sobre os sapatos fabricados no Vietnã.
O representante diplomático europeu disse que os produtores chineses de sapatos, ou o governo chinês, poderão sempre contestar uma eventual aplicação de tarifas junto do Tribunal Europeu de Justiça ou da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Se estivermos errados, seremos corrigidos pelo tribunal ou pelo painel da OMC. Se não for o caso, as tarifas continuarão a ser aplicadas", disse Serge Abou.
A proposta da CE segue-se uma investigação européia que durou 15 meses e concluiu que a produção de sapatos de couro na China e Vietnã beneficiou de uma forte intervenção estatal, como empréstimos a fundo perdido, benefícios fiscais e rendas de instalações subsidiadas, o que permitiu a exportação para a Europa de artigos com preços abaixo dos custos de produção, o chamado "dumping".
"As medidas ‘anti-dumping’ não são uma medida protecionista, são acima de tudo uma questão de justiça comercial", defendeu Serge Abou.
CHINA x ÁFRICA
(http://po.chinabroadcast.cn/)
No início de 2006, o primeiro ministro chinês, Wen Jiabao, terminou no Uganda, uma viagem de dez dias a África, durante a qual visitou sete países e assinou 72 acordos bilaterais. O Presidente Hu Jintão tinha estado em Marrocos, Nigéria e Quênia com o mesmo objetivo: explicar a nova política da China em África e preparar a Cimeira China-África, prevista para o mês de Novembro/2006 em Pequim.
O governo chinês decidiu fazer de 2006 o «Ano de África na China», aproveitando o 50º aniversário das relações sino-africanas. Em 1956, foi o Egito o primeiro país do continente a estabelecer relações diplomáticas com a China Popular. Desde então, todo o continente africano alcançou a independência e a quase totalidade dos estados africanos tem hoje relações e acordos bilaterais com a China.
Na África do Sul, Wen Jiabao recordou que em meio século o seu país desenvolveu cerca de 900 projetos em África, recebeu 18000 estudantes africanos, de 50 nacionalidades, nas suas universidades e enviou 16.000 médicos e enfermeiros a 47 países africanos, entre outros técnicos e especialistas. Estas relações, essencialmente políticas e diplomáticas, com forte componente ideológico - enquadradas na política externa maoísta «contra os dois imperialismos, americano e soviético - nunca suscitaram no Ocidente as paixões e a preocupação que despertou a «nova estratégia chinesa para os países em desenvolvimento» baseada em investimentos, créditos e comércio.
A Declaração de Pequim, de Outubro de 2000, que criou o Fórum para a Cooperação China África, já definia as grandes linhas de uma parceria baseada no principio dos «dois ganhadores» (winer to winer), reafirmado em Janeiro de 2006.
Desde o inicio do século , as relações comerciais entre a China e África aumentaram de 268 % e de 39% nos dez primeiros meses de 2005. As exportações africanas ascenderam a 16.900 milhões de dólares e as importações africanas de produtos chineses a 15.250 milhões .de dólares. Segundo a maioria dos analistas, a ofensiva chinesa no continente negro se deve essencialmente à «caça» as matérias primas, especialmente petróleo e gás, para sustentar o formidável crescimento industrial da China.
É verdade que a maioria dos acordos bilaterais entre Pequim e os estados africanos têm um componente energético (Sudão, Nigéria, Angola, Guiné Equatorial, Gabão), que 25 % da produção angolana de crude e 30 % do petróleo do Golfo da Guiné partem para algum dos portos chineses. Mas a China tem outros argumentos para seduzir os parceiros africanos : créditos a largo prazo e baixos custos, empresas especializadas em quase todos os setores, preços competitivos, não só para produtos básicos como têxteis, vestuário, calçado, mas também para equipamentos industriais, transportes, comunicações, informática.
«Países que não são produtores de petróleo, ou não têm problemas nas relações com o Ocidente, como África do Sul, estão interessados em estreitar as relações comerciais com a China», observou um analista canadiano, porque Pequim oferece uma hábil combinação de contratos públicos e privados, cooperação e assistência técnica, sem condições políticas nem ingerência nos assuntos internos de cada país.
São companhias privadas chinesas, sozinhas ou em sociedade com parceiros locais, que estão construindo auto-estradas, oleodutos, caminhos de ferro, hospitais, portos, habitações e complexos desportivos em todo o continente, financiados com empréstimos chineses. Só no Sudão, os investimentos chineses já ultrapassaram os 4.000 milhões de dólares. Angola, segundo fornecedor de petróleo, a China é também o primeiro destinatário das ajudas externas chinesas a fundo perdido.
Nesta viagem a África, Wen Jiabao procurou também tranquilizar os parceiros africanos, inquietos dos efeitos devastadores das exportações chinesas a baixo custo para as suas frágeis industrias, nomeadamente nos setores têxtil, vestuário e calçado, que já provocaram a perda de dezenas de milhares de empregos na África do Sul Nigéria e Zâmbia.
Anunciou que na cimeira de Pequim, serão estudados mecanismos de proteção para as indústrias africanas e para criação de empregos. O financiamento de refinarias e de fábricas de gás liquefato na Nigéria e Angola vão neste sentido.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Sites
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