quarta-feira, 18 de junho de 2008

Sobre a globlização...

Os países em desenvolvimento vêem os países industriais avançados inclinando o regime econômico mundial contra eles. Os problemas têm muito a ver com o fato de a globalização econômica andar muito mais rápido do que a globalização política , e com as conseqüências econômicas da globalização andarem mais depressa que a nossa capacidade de compreende-la e molda-la e de lidar com suas conseqüências por meio de processos políticos.
O impacto da globalização sobre a desigualdade, o déficit democrático em nossas instituições econômicas globais, que enfraquece a democracia até mesmo em nossos países, e a tendência humana a pensar localmente, mesmo quando vivemos numa economia cada vez mais global.

Desigualdade crescente e a ameaça da terceirização

Uma economia dinâmica caracteriza-se obviamente por perda e criação de empregos – a perda de empregos menos produtivos e a mudança dos trabalhadores para áreas de produtividade maior.
Pensava-se que os Estados Unidos, com seu alto grau de especialização e sua economia dominada pelo setor de serviços, estariam protegidos contra competição de fora. O que tornou a terceirização tão assustadora foi até mesmo os empregos de alta especialização começaram a ir para o exterior. A estratégia de maior capacitação e educação embora claramente valiosa e importante não proporcione uma resposta completa para reagir à competição mundial.
Assim ao mesmo tempo em que poderão comemorar a elevação do padrão de vida dos trabalhadores não especializados no mundo em desenvolvimento, americanos e europeus se preocuparão com o que estará acontecendo em seus países. A questão não é apenas a do número de empregos que serão terceirizados –perdidos- para a China e Índia. O verdadeiro problema é que até mesmo uma diferença relativamente pequena entre a demanda e a oferta de mão-de-obra pode criar grandes problemas , levando a estagnação e ao declínio dos salários e criando altos graus de ansiedade para os muitos trabalhadores que sentem seus empregos sob risco. É isso que parece que está acontecendo.

Reagindo aos Desafios da Globalização

Ao mesmo tempo em que há vencedores da globalização, há numerosos perdedores. Está claro que a globalização é apenas uma das muitas forças que afetam nossas sociedades e economias. Mesmo sem ela, haveria aumento da desigualdade. As mudanças tecnológicas aumentaram a bonificação que o mercado atribui à certas competências, de tal modo que os vencedores na economia de hoje são aqueles que têm ou adquiriram essas competências. No fim das contas, essas mudanças tecnológicas podem ser mais importantes do que a globalização na determinação do aumento da desigualdade, e até mesmo no declínio dos salários dos não especializados. Os eleitores não podem fazer muito em relação ao avanço da tecnologia, mas podem por meio de seus representantes - fazer algo a respeito da globalização.
O poder engendra poder, e , ao usar seu poderio econômico atual combinado , eles podem ao menos proteger sua posição e, quem sabe até melhora-la. Trata-se de uma concepção que não se baseia no que é certo ou justo, mas na real politik.
Os países industriais avançados precisam continuar a capacitar suas forças de trabalho , mas também têm de fortalecer suas redes de segurança e aumentar a progressividade de seus sistemas tributários;são as pessoas na base da pirâmide que tem sido prejudicadas pela globalização ( e provavelmente , por outras forças ,como a mudança tecnológica) parece a coisa certa a fazer , diminuir os impostos pagos por essas pessoas e aumentar a carga tributária sobre aqueles que foram tão bem servidos pela globalização.
A expansão do capitalismo, desde o século XV, se fez sob o impulso de inovações tecnológicas, com seus efeitos econômicos e militares, e de “inovações ideológicas”. A análise dessa expansão deve ser feita à luz da estreita inter-relação entre duas modalidades de inovação e tendo em vista seu objetivo principal que é a acumulação de riqueza no centro do sistema e o crescente bem-estar de suas elites. Para vencer as resistências políticas e militares dessas sociedades (primitivas) à introdução de suas práticas, o capitalismo utilizou força militar para impô-las juntamente com o controle político necessário à sua adoção. Nos países que se encontravam no centro do sistema de “inovações ideológicas” articulavam a barbarização e demonização do outro.
Assim, após mais de quinhentos anos de expansão, depois de mais de meio século de luta interna entre Estados capitalistas pela hegemonia do sistema e de conflito, competição e vitória sobre o modo socialista alternativo criado pela União Soviética , o capitalismo prossegue ainda com maior vigor sua expansão , com base naquelas mesmas características e objetivos.
Objetivo: Manter ou aumentar o bem-estar ( disponibilidade crescente de bens de consumo); manter a liderança científica e tecnológica, abrir e manter abertos os mercados de terceiros países, quer sejam do centro, quer da periferia, para aplicar capitais excedentes, colocar produtos e ter acesso a insumos estratégicos e não estratégicos; manter a superioridade militar pelo avanço tecnológico e pelos mecanismos de controle da periferia ( de Estados do centro eventualmente contestadores); manter o controle pela difusão ideológica da inevitabilidade e beneficência da própria hegemonia e pela conquista das mentes e corações das elites periféricas que se associam a esse projeto, que dele beneficiam marginalmente e que executam localmente com convicção e zelo.
Fontes:

STIGLITZ,Joseph E. Globalização : Como dar certo?
GUIMARÃES, Samuel Pinheiro. Globalização , Guerra e Violência.

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