quarta-feira, 18 de junho de 2008

Debates Metodológicos

Debates Metodológicos

Teoria Crítica

Esses estudos rejeitam os três postulados básicos do positivismo: uma realidade externa objetiva, a distinção sujeito/objeto; e a ciência social livre de valores.
Para eles o mundo social é uma construção de tempo e espaço e , nesse sentido , o sistema internacional é uma construção específica dos Estados mais poderosos. Tudo que é social, inclusive as relações internacionais, é variável e por isso histórico.
Para os teóricos críticos, o conhecimento não é e não pode ser neutro-moral, política ou ideologicamente.
Teóricos críticos buscam o conhecimento com uma finalidade política: liberar a humanidade das “opressivas” estruturas da política e da economia mundiais, que são controladas por poderes hegemônicos, em particular os Estados Unidos capitalista.
Teóricos críticos são claramente políticos - defendem e promovem sua progressiva (geralmente socialista) ideologia da emancipação e acreditam que os acadêmicos conservadores e liberais defendem e promovem seus valores políticos. Sendo assim, os teóricos críticos argumentam que os debates teóricos são basicamente políticos e, assim como os idealistas do período entre guerras tentam promover a revolução política social declarada em suas ideologias.

Pós Modernismo

Criticam os liberais clássicos, que acreditam no “iluminismo, como Kant. Além disso, questionam os positivistas contemporâneos que acreditam na ciência como Waltz. Para o pós –modernista , o neo-realismo é a epítome da falha intelectual e da arrogância acadêmica e , nesse sentido , é também considerado o exemplo primário de uma prisão intelectual da qual o pós-modernista querem escapar.
Esses teóricos são bastante céticos quanto a idéia de que as instituições podem ser configuradas de forma justa para toda a humanidade e desmistificam a noção de progresso humano universal.
O pós-modernismo tem sido definido como a “incredulidade” contra a “metanarrativas”. Tais razões não existem porque a ciência social não é neutra, mas histórica, cultural, política, e, portanto, tendenciosa. Toda teoria, incluindo, o neo-realismo, decide contra própria o que é um “fato” ou seja:não há um ponto de vista neutro imparcial ou independente a partir da qual é possível escolher entre as afirmações empíricas rivais.
Os pós-modernistas são desconstrutivistas que se referem às teorias como “narrativas” ou “metanarrativas”. As narrativas ou metanarrativas são sempre elaboradas por um teórico, logo sempre contaminadas por seu ponto de vista e preconceitos.
Crítica pós-moderna ao neo-realismo:

“O neo-realismo enfatiza a “continuidade” e “repetição” (Walker 1995:309) e os atores individuais são reduzidos na análise final a meros objetos que devem participar da reprodução do todo ou ficar ao largo da história”.
Há um pós-modernismo moderado pressuposto na noção de que as nossas idéias e teorias sobre o mundo sempre contêm elementos tanto de subjetividade quanto de objetividade.

Construtivismo

O mundo social e político não formam uma entidade física ou um objeto material exterior à consciência humana. O sistema internacional não é algo que está “lá fora” como o sistema solar – não existe por conta própria, mas somente como uma consciência intersubjetiva entre as pessoas. É uma invenção ou criação humana, não um tipo físico ou material, mas intelectual ou idealizado.
Se pensamentos e idéias gerados nas relações internacionais se modificam, o sistema , portanto , mudará também, já que consiste de pensamentos e de idéias. O caráter intersubjetivo das relações internacionais pode ser estudado por meio de métodos “científicos” no sentido histórico e sociológico, mas não no sentido estritamente positivista do mundo. Nesse sentido, o construtivismo é uma rejeição à teoria positivista de RI. Não é, no entanto, uma negação da ciência “social” como tal.

Para abordagem construtivista de RI:

As relações humanas inclusive as relações internacionais consistem essencialmente de pensamento e idéias e não de forças ou condições materiais.
As crenças intersubjetivas (idéias, concepções, suposições etc.) comuns entre as pessoas constituem o elemento ideológico central enfocado pelos construtivistas.
Essas crenças comuns compõem e expressam os interesses e as identidades das pessoas: como o modo que se concebem as suas relações.
Os construtivistas ressaltam o meio nos quais essas relações são formadas e expressas – por exemplo, por intermédio de instituições sociais coletivas, como a soberania estatal, “que não apresenta uma realidade material, mas existe apenas porque as pessoas acreditam , em geral , na sua existência , e agem de forma correspondente.
A história não é um processo externo, que se desenvolve independentemente das idéias e do pensamento humano. Portanto, a sociologia, a economia, a ciência política e o estudo da história não podem ser “ciências” objetivas no sentido positivista da palavra.
O aspecto ideológico central enfocado pelos construtivistas são as crenças intersubjetivas (idéias, concepções e suposições) comuns entre as pessoas.


Fonte:

JACSON,Robert & SORENSEN,Georg. Introdução às Relações Internacionais. Teorias e abordagens.Rio de Janeiro

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